Variación lingüística

Crioulos de base lexical espanhola e portuguesa: tendências de contraste em torno dos sujeitos pré-verbais

Sob o enfoque da sintaxe comparativa seguindo o Modelo de Princípios e Parâmetros (CHOMSKY, 1981, 1986 e seguintes), este trabalho investigativo contrasta crioulos de base lexical espanhola (Ternate Chabacano, Cavite Chabacano, Papiamentu e Palenquero) com crioulos de base lexical portuguesa (Caboverdiano, Kryiol, Casamansês, Santome, Angolar e Principiense), centrando a atenção no comportamento dos sujeitos pré-verbais, mais especificamente dos sujeitos duplicados por um pronome resumptivo no domínio intrafrásico. Observando suas línguas lexificadoras, o espanhol e o português europeu, respectivamente, pesquisas linguísticas defendem que essas línguas são de sujeito nulo consistente (Holmberg, 2005; Holmberg, Nayudu & Sheehan, 2009; Roberts & Holmberg 2010), o que implica dizer que a morfologia de flexão verbal é rica licenciando e identificando sujeitos nulos, indo na direção de Rizzi (1982, 1986, 1997). Barbosa (1996) argumenta que, em línguas de sujeito nulo, sujeitos pré-verbais estão deslocados à esquerda, ocupando uma posição não-argumental, e são retomados por uma categoria nula (pro) na posição de sujeito. Além disso, essa pesquisadora verifica que não são produtivas construções em que esses sujeitos são retomados por um pronome resumptivo pleno (ex: O João, ele comeu muito.; Juan, el ha comido mucho.). Contrariamente a essa situação, em crioulos de base lexical portuguesa, por exemplo, essas construções são frequentes (Silva & Ziober, 2017), o que nos leva a compará-los com crioulos de base lexical espanhola, a fim de verificar se as restrições observadas naqueles são verificadas nestes. Para a realização da análise descritivo-comparativa, os contextos de duplicação dos sujeitos foram extraídos de pesquisas linguísticas, do Atlas of Pidgin and Creoule Languages Structures (APiCS) e do Corpus Query Processor (CQPweb).  Ademais, durante a análise, foi descrito o quadro pronominal nominativo de cada crioulo e foram considerados  fatores de ordem semântica (definitude do sujeito), prosódica (presença ou não de corte entonacional), sintática (status do pronome e natureza do DP sujeito) e morfológica (traço número-pessoal do sujeito). Os resultados têm apontado para algumas tendências, a saber: (a) a maioria dos crioulos de base lexical portuguesa assemelha-se ao português europeu no que se refere ao fato de os sujeitos duplicados serem definidos e separados do pronome resumptivo por um corte entonacional, o que lhes garante o status de tópicos marcados, não obstante, afasta-se de sua língua lexificadora pelo predomínio de sujeitos pronominais com traço de primeira pessoa e (b) nos crioulos de base lexical espanhola, sujeitos duplicados são tópicos marcados, tal como ocorre no espanhol, sua língua lexificadora e, ao contrário dos crioulos de base lexical portuguesa, são DPs plenos que possuem o traço de terceira pessoa. Em linhas gerais, esta pesquisa apresenta-se relevante na medida em que amplia a discussão sobre o comportamento variável dos sujeitos duplicados já atestado em outras línguas naturais (Britto, 2000; De Cat, 2003; Silva 2004, 2006; Costa, Duarte & Silva 2006; Silva, Carvalho & Ziober 2017; Silva, 2022), uma análise ainda pouco explorada em línguas crioulas até onde se tem verificado.

Palavras-chave: Crioulo; Português; Espanhol; Sujeito; Variação

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